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Título de “Cidadão Honorário” de Diadema a Dom Pedro Carlos Cipollini

 

Discurso na Câmara Municipal

15/12/2017

            Prezados Senhores Vereadores, Sr. Presidente desta seção solene da Câmara de Vereadores, Vereador Orlando Vitoriano, Autor da propositura de concessão do título à minha pessoa, Sr. Presidente da Câmara, Marcos Michels e demais membros do Legislativo. Senhor representante do Prefeito Municipal, Zé Dourado, demais autoridades presentes, senhores padres presentes, meus irmãos e irmãs na fé, caros amigos.

Permitam-me uma palavra comovida de agradecimento pela concessão deste título de cidadão honorário desta cidade de Diadema, que muito me honra. Diadema, município emancipado em 18/02/1950, conta hoje com aproximadamente 420.000 mil habitantes, sendo um dos municípios mais densamente povoados do Estado de S. Paulo. A presença de todos vocês, membros das diversas instituições municipais e das pastorais de nossa Igreja, aqui nesta casa, é para mim um grande estímulo e incentivo em minha caminhada. Uma presença de apoio, de encorajamento que sinaliza o que o Espírito Santo de Deus faz conosco: sempre nos animando, dando um voto de confiança, para que sejamos cada dia melhores.

Aceito este título e o atribuo à Igreja Católica Apostólica Romana, da qual sou bispo nesta Região do Grande ABC. Mais que minha pessoa é a Igreja que o recebe. Nossa Igreja, segundo o censo de 2010, conta com 56,00% da população de Diadema, nas dez paróquias da cidade, com suas 31 comunidades. Não ignoro que outros talvez mereçam mais que eu este título, mas com humildade o acolho em respeito a todos vocês, que, ao se fazerem presentes aqui, o aprovam. Meu muito obrigado a todos, em especial aos ilustres vereadores que, por unanimidade, escolheram-me.

No século XVII foi edificada a Vila Conceição, onde hoje é a Avenida Padre Manuel da Nóbrega, com casa grande e uma capela dedicada à padroeira de Portugal, Nossa Senhora da Conceição, que passaria a ser também a padroeira do Império do Brasil, e hoje, continua com o título de Imaculada Conceição Aparecida, como padroeira do Brasil. Na capela os padres jesuítas catequizavam, educavam e incentivavam a vida comunitária da população. Portanto, é inegável a presença da Igreja Católica no nascedouro desta cidade e, sobretudo, deve-se enaltecer a presença materna da Mãe de Jesus, como padroeira de Diadema e cujo nome da cidade faz referência. De fato, ao procurar um nome para o município emancipado, escolheu-se Diadema, que faz referência à coroa, ao diadema que orna a cabeça da Santa.

Que Diadema possa cultivar suas raízes cristãs cultivando os valores cristãos da justiça, da partilha, da fraternidade e da paz. Assim todos terão, a partir da fé cristã, a verdadeira dignidade humana, que não existe sem Deus. Pois “se não é Deus que constrói, em vão trabalham os construtores” (Sl 127).

No brasão de Diadema existem três torres prateadas que simbolizam as três vilas que deram origem à cidade: Vila Conceição, a mais antiga e destacada, Vila Piraporinha e Vila Eldorado. Da união destas vilas surge a cidade e o município. Ser cidadão honorário desta cidade, formada pela união de seus bairros, é comprometer-se a trabalhar pela união de todos, em torno de princípios que levem a população ao desenvolvimento e progresso, capazes de trazer, não somente pão e trabalho para todos, mas sobretudo dignidade. Desta forma é preciso trabalhar para que diminua a violência que se constitui em um fator de inquietação para todos.

A violência não é somente um caso de polícia e de atuação do judiciário, mas é uma realidade que se combate também com o desenvolvimento de uma boa educação, moradia e saúde para todos. Mas isto ainda não basta, porque o ser humano não é somente matéria, ele tem alma. E aqui entra a fé em Deus. É preciso pautar o desenvolvimento com a fé em Deus, e resgatar os Dez Mandamentos da Lei de Deus, que está na Sagrada Escritura; bem como as Bem-aventuranças, que Jesus nos ensinou como normas de vida. Isto não somente nos trará a paz, mas também o progresso, porque nos ajudará a combater o egoísmo, a inveja e a corrupção.

O título de cidadão honorário de Diadema comoveu-me e me deixou feliz, porque agora me sinto mais integrado à comunidade desta cidade, que faz parte da nossa Diocese. Abrir espaço para os que chegam, integrar, ser abraçado pela coletividade, é este o significado do título que me deram. Mas ele enaltece também esta Casa que, ao conferir esta honraria em nome do povo, a alguns membros da comunidade, demonstra a grandeza daqueles que conhecem o mandamento bíblico de acolher os peregrinos, sem discriminá-los.

Quando vim para a Diocese de Santo André (designado pelo Papa Francisco como seu quinto Bispo Diocesano) da qual faz parte Diadema, vim como peregrino, firmado na fé de estar cumprindo a vontade de Deus em minha vida. Por isso percorri toda a Diocese e consequentemente todo este município de Diadema, (que abriga nosso seminário diocesano de filosofia, e por isso, todos os padres de nossa Diocese aqui residem durante três anos de sua formação). Em minha Visita Pastoral missionária, fui conhecendo e visitando inúmeras pessoas e entidades de todos os setores da sociedade diademense. A última missa que celebrei aqui me marcou pelo entusiasmo e devoção do povo do Morro do Samba.

Este título de cidadão permite sentir-me acolhido entre este povo generoso e trabalhador. Meus sinceros agradecimentos a todos em especial ao Vereador Orlando Vitoriano, que Deus abençoe sua família e seu mandato em favor de nossa população em especial dos mais necessitados, pobres e carentes.

A história de Diadema é uma bandeira alinhavada com os fios de milhares de histórias individuais: vida e obra de migrantes esperançosos. Porém esta cidade está coroada de espinhos, a coroa de espinhos do sofrimento de muitos que moram de forma precária, da falta de saneamento básico, desemprego, e outros problemas graves que atingem a população mais carente.

Precisamos unir forças, para que a cidade não se divida em dois mundos separados: o mundo dos bem sucedidos e o mundo dos excluídos. Neste sentido nossa esperança se volta para a promoção da união da população e seus dirigentes, em torno de objetivos que promovam a vida. Esperamos que a ilustre casa do Legislativo Municipal seja capaz de leis em favor da vida, capazes de proporcionar dias melhores para todos, com ética e competência, fiscalizando os atos do executivo, mas fiscalizando-se também, para cumprir fielmente o dever.

Muito se progrediu, e muito já foi feito em favor de Diadema pelos poderes públicos. O Jardim Botânico, o Borboletário, o Museu de Arte Popular no Centro Cultural e o Observatório Astronômico sinalizam uma Diadema da Cultura e do Lazer que todos sonhamos. É preciso continuar a trabalhar para uma Diadema assim, mais humana, onde haja amor e paz para todos e uma convivência sem exclusão. Isto fará Diadema renascer cada dia, com projetos ousados na área social, mais que projetos urbanísticos. Isto é possível, por mais difícil que seja o momento histórico que atravessa nossa nação, com uma crise sem igual, que afeta duramente nosso Grande ABC no qual está inserido o município Diadema. Melhoramos muito! Temos uma democracia política para a qual contribuiu muito o movimento sindical surgido aqui neste município, mas nos falta a democracia social. Para que haja mais igualdade na distribuição dos recursos. Saibamos que o futuro da cidade passa pela solidariedade, vivida em todas as escalas.

O lema de Diadema é: Floreat Diadema (Floreça Diadema). Que Diadema possa florescer cada dia, transformando as dificuldades da vida urbana em flores que perfumam a vida de seus habitantes. Florescer lembra jardim, jardim lembra o Jardim do Paraíso, no qual Deus criou o ser humano segundo o relato bíblico. Que Diadema tenha o sonho de ser um jardim onde o ser humano conviva em paz com os outros e com a natureza, mas, sobretudo, com Deus.

Como todos vocês cidadãos e cidadãs desta cidade, eu amo Diadema e de agora em diante, muito mais ainda como seu cidadão.

MUITO OBRIGADO A TODOS!

+Dom Pedro Carlos Cipollini

Bispo Diocesano de Santo André

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Fonte: Diocese de Santo André

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