PASTORAL DA SAÚDE
(Resumo adaptado da entrevista do Padre
José Edson da Silva, coordenador geral da Pastoral da
Saúde Nacional – Brasília – tel. (0xx61) 225-2526 – no programa
“Frente a Frente” da Rede Vida, dia 16/08/2002).
PASTORAL DA SAÚDE ou PASTORAL DOS ENFERMOS
Entende-se por Pastoral da Saúde o trabalho feito junto às três dimensões já citadas: solidária, comunitária e político - institucional.
A Pastoral dos Enfermos, por estar concentrada nas visitas hospitalares e/ou domiciliares , por si só se completa e se basta na primeira dimensão: a solidária. Essas visitas já são feitas há muito tempo por outros serviços eclesiais, como o Ministério da Eucaristia, o Apostolado da Oração, a Legião de Maria, os Grupos de Oração, etc.
Há necessidade, portanto, de se ampliar o foco de atuação da pastoral dos Enfermos, para que ela se transforme verdadeiramente numa Pastoral da Saúde.
SAÚDE E PASTORAL
Saúde não quer dizer apenas “ausência de doenças”, mas sim, um bem-estar completo – físico, mental, social – e especialmente, espiritual. Com este pensamento, a Pastoral da Saúde quer ser a presença evangelizadora da Igreja no mundo da saúde, através de agentes especializados ou não. É a atuação comprometida do catolicismo aos que sofrem, tendo porém uma visão crítica da nossa realidade junto às comunidades carentes, e às instituições de saúde.
ATUAÇÃO
A Pastoral da Saúde atua em três dimensões:
- Solidária
- Comunitária
- Político – Institucional
SOLIDÁRIA – A dimensão solidária é a ação católica nos hospitais, nos asilos, observando e acompanhando a dor do nosso irmão em Cristo. O agente é convidado a não ter apenas piedade do doente, mas principalmente a ter compaixão.
Ter piedade é assistir ao sofrimento do outro, e cruzar os braços.
Ter compaixão é possuir a consciência de sua missão de ajuda, co-participando do sofrimento de quem está carente, abatido, fragilizado.
COMUNITÁRIA – A dimensão comunitária é a atuação nas comunidades de base, com atenção especial às necessidades fundamentais de cada uma delas. Sabemos que só se pode ter saúde quando existe saneamento básico, ou seja, quando o local possui rede de esgotos, água potável, etc. Se esses melhoramentos não existirem, é necessário que o agente participe, com a comunidade, da solução do problema.
POLÍTICO – INSTITUCIONAL – Na terceira dimensão, o católico é convidado a ser um agente político, consciente de sua ação evangelizadora no mundo institucional da saúde. É praticamente obrigatória a sua presença nos Conselhos de Saúde, por exemplo, para que, com sua visão crítica, possa modificar e/ou melhorar a política de saúde do nosso país, em benefício dos mais carentes.
ECUMENISMO
O ecumenismo tem uma abertura muito grande no Brasil, porém precisamos tomar muito cuidado ao exerce-lo. A Pastoral da Saúde trabalha apenas com os leigos católicos que se colocam à disposição da solidariedade. Ao entrar nos hospitais, onde várias religiões se cruzam, pode acontecer um desencontro de opiniões. Como um agente da Pastoral deve se comportar nessa situação? Qual deve ser a sua postura frente a um evangélico, por exemplo? O agente da Pastoral deve ter sempre em mente que ele é convidado, antes de qualquer coisa, a levar uma palavra de conforto a quem sofre. Desta forma, ele não deve de maneira alguma tentar impor a sua religião, ou mesmo a própria Palavra de Deus. Esta deve chegar ao irmão como uma proposta: “Vinde a mim vós que estais sedentos, que eu vos aliviarei”, disse Jesus.
Portanto, o agente deve mostrar a importância do Evangelho na vida de cada um, com suavidade, com tranqüilidade, com criatividade. Ele não pode querer obrigar o doente a concordar com os seus conceitos e preceitos, como se a sua religião fosse a salvação de todos os males.
Mesmo o católico que dedica uma devoção toda especial à Maria Santíssima não deve forçar o evangélico, ou o protestante, a aceitar a Mãe de Deus, da forma como nós católicos a aceitamos. Ele pode sim falar que Maria é também nossa mãe, mas não tem o direito de agredir , com suas crenças particulares, a saúde de quem está precisando de acolhimento, atenção e carinho.
O princípio maior da evangelização na Pastoral da Saúde é: “RESPEITAR O NOSSO IRMÃO DOENTE”, lembrando sempre o que nos diz São Paulo: “SEM A CARIDADE SOMOS ABSOLUTAMENTE NADA”.
PUBLICAÇÕES SOBRE A PASTORAL DA SAÚDE:
- "Ministério da Vida" - Pe. Léo Pessini - Ed. Santuário
- "Doentes: Teologia Pastoral" - Pe. Léo Pessini - Ed. Santuário
- "Pastoral dos Enfermos: Cristianismo" - Pe. Léo Pessini - Ed. Santuário
- "Como visitar um doente" - Anísio Baldessin - Ed. Loyola
- "Como fazer Pastoral da Saúde" - Anísio Baldessin - Ed. Loyola
- "Reflexões para agentes da Pastoral da Saúde" - Anísio Baldessin - Ed. Loyola
- "Guia da Pastoral da Saúde" - CELAM/DEPAS - Ed. Loyola
- "Acolher o pobre é acolher Jesus" - Jean Vanier - Ed. Loyola
- "Orações de esperança para o doente" - Antonio Caetano Evangelista - Ed. Paulus
- "Carta aos anciãos" - Papa João Paulo II - Ed. Paulus
(Trabalho realizado por Sérgio Luiz Rossetti, da Pastoral da Saúde – da Igreja Matriz Nossa Senhora da Boa Viagem – São Bernardo do Campo – Setembro de 2002).