Aconteceu!

Santo Antônio, profeta dos Pobres!

 Caro leitor, na próxima quarta-feira, 13 de junho faz-se memória de Santo Antônio (de Pádua-Itália ou de Lisboa-Portugal). Trata-se de um frade discípulo de Jesus através do carisma, isto é, do modo de ser de São Francisco. Contudo, em nossa realidade brasileira atual, mais do que o imaginário sobre um “santo casamenteiro” gostaria de recordar suas lições acerca de seu cuidado com os pobres.

Conta-nos a história que Santo Antônio, constantemente comovido com a necessidades dos pobres, distribuíra constantemente entre eles todo o pão do convento. Certa vez, o frade que cuidava da padaria do convento, na hora da refeição, desesperado por não ter um pão sequer para alimentar os confrades, veio a Antônio para contar-lhe que todo o pão tinha desaparecido. Antônio pediu-lhe que verificasse mais atentamente o cesto onde se colocavam os pães. Pouco depois, voltou o frade padeiro com a notícia de que o cesto estava transbordando de tanto pão. Daquele pão foram saciados os frades e todos os mendigos que vieram pedir-lhes esmolas. Daí deriva o costume do “Pão de Santo Antônio”.

São conhecidos na literatura mundial os muitos e bem escritos sermões do santo. Peço licença para fazer uso de trechos (de um artigo do  Frei Celso Márcio Teixeira, OFM) que relacionam seu cuidado com os que ele denominava os “ pobres de Cristo”. Isto porque a defesa dos pobres, além de suas atitudes concretas no convento manifestava-se na crítica que fazia a uma sociedade que privilegiava, com grandes riquezas, a alguns (aos ricos, aos avarentos, aos poderosos, aos usurários e até ao clero), e privava a inúmeras famílias do mínimo necessário para a própria sobrevivência.

Ao comentar, a parábola do rico e de Lázaro (Lc 16,19-31), assim ele se expressa: “O rico afligia a Lázaro, porque lhe roubava o benefício que lhe devia dar. Diz Isaías àqueles que não dão aos pobres o que lhes pertence: ‘As rapinas feitas ao pobre encontram-se em vossa casa. Por que razão calcais aos pés o meu povo e moeis a pancadas os rostos dos pobres?’ A abundância do rico afrontava a miséria do pobre e lançava-lhe ao rosto; o rico explorava Lázaro coberto de chagas, quando passava vestido de púrpura diante de Lázaro, que estava em frente de suas portas” (I Domingo de Pentecostes).

Comentando o texto bíblico “vi entre os despojos uma capa de escarlate muito boa” (Js 7,21), Antônio indica quem são as pessoas que tiram os poucos bens dos pobres: “A capa escarlate significa os haveres dos pobres adquiridos com muito suor e sangue … Os soldados e os burgueses avarentos e os usurários roubam a capa de escarlate … Os ricos e os poderosos deste mundo tiram aos pobres, a quem chamam de vilões – sendo que eles próprios são os vilões do diabo – os seus pobres haveres adquiridos com sangue, de que se vestem de qualquer maneira” (X Domingo de Pentecostes).

E ainda: “Quem segura uma pessoa pela goela, tira-lhe a voz e a vida. As posses do pobre são a vida dele; como a vida vive do sangue, assim ele deve viver disso. Se tiras ao pobre seus parcos haveres, sugas o sangue dele e o asfixias; e, no fim, serás tu mesmo asfixiado pelo demônio” (XXII Domingo de Pentecostes.).

Antônio recorda-nos que o pobre é um sinal visível da graça de Deus: “Agora, o Senhor está à porta, na pessoa dos seus pobres, e bate. Abre-se-lhe, quando se dá de comer ao pobre. A refeição do pobre é o descanso de Cristo. O que fizerdes a um dos meus irmãos mais pequeninos é a mim que o fareis … ‘Deita a esmola no seio do pobre e ela (a esmola) pedirá por ti, para que os pecados te sejam perdoados, o teu espírito seja iluminado e a glória eterna te seja concedida” (Domingo da Ressurreição).

Concluo com um dos resultados destas suas pregações, uma lei, promulgada em Pádua, que dizia respeito à usura e às leis para o empréstimo de dinheiro. As leis da época puniam os devedores e fiadores insolventes com a prisão perpétua. Com isto, os usurários, os magnatas do capital, apossavam-se dos bens do devedor e do fiador insolventes. Deste modo, o devedor, além de ser vítima do sistema iníquo da usura, era vítima de uma lei injusta. Em 1231, o governo de Pádua promulgou uma lei nova nos seguintes termos: “A pedido do venerável irmão Antônio, confessor da Ordem dos Frades Menores, para o futuro, nenhum devedor ou fiador poderá ser privado pessoalmente de sua liberdade, quando ele se tornar insolvente. Somente suas posses poderão ser apreendidas neste caso, não, porém sua pessoa e sua liberdade”. Com esta lei promulgada por sua intercessão, Antônio conseguia pelo menos salvar a dignidade das vítimas da usura.

Santo Antônio, intercede pelos que rogam a Deus por seus casamentos, mas ajuda-nos, sobretudo, a fazer o bem pelos pobres, a legislar em favor dos necessitados e a oferecer a todos a dignidade que merecem como pessoas humanas e filhos de Deus. Santo Antônio, profeta dos pobres, rogai por nós!

 

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o jornal Diário do Grande Abc

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Fonte: Diocese de Santo André

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