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Papa sobre Maria: “Protagonismo que não tem medo da ternura”

Francisco celebrou nesta quarta-feira, 12, a solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe; durante reflexão frisou o caminhar e cantar de Maria

Julia Beck
Da redação

Papa Francisco preside Missa no dia de Nossa Senhora de Guadalupe / Foto: REUTERS/Max Rossi

“Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta em Deus meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva (Lc 1,46-48)”. Assim começa o canto do Magnificat, e assim começou a homilia do Papa Francisco, na celebração da solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, realizada nesta quarta-feira, 12, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Durante reflexão, o Pontífice frisou que Maria ensina um método simples para a propagação da esperança: caminhar e cantar.

Segundo o Santo Padre, o evangelho após o anúncio do anjo, destaca que Maria caminhou as pressas, porém não ansiosa, até a casa de Isabel para acompanhá-la em sua última etapa da gravidez. O Pontífice seguiu rememorando os vários caminhos percorridos por Maria: “As pressas foi até Jesus quando faltou vinho nas bodas, e já com os cabelos grisalhos com o passar do tempo, caminhou até Gólgota para estar aos pés da cruz. Naquele limiar de escuridão e dor, não se escondeu, e nem foi embora, caminhou para estar ali”.

O Papa continuou: “Caminhou ao Tepeyac para acompanhar Juan Diego e continua caminhando no Continente quando, por meio de uma imagem ou estampa de uma virgem ou de uma medalha, de um terço ou Ave-Maria, entra em uma casa, na cela de um cárcere, na cela de um hospital, em um albergue de idosos, em uma escola, em uma clínica de reabilitação para dizer: ‘Não estou eu aqui, que sou tua mãe?’ (Nican Mopohua, 119)”.

Maria é para Francisco, a mulher que caminha com delicadeza e ternura de mãe, que se fez acolher na vida familiar, que desata um ou outro nó dos muitos erros cometidos pela humanidade, e também é aquela que ensina todos a permanecerem de pé no meio das tormentas.

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“Na escola de Maria, aprendemos a estar no caminho para chegar ali, onde devemos estar. Aos pés e de pé diante das muitas vidas que perderam, ou as quais roubaram a esperança. Na escola de Maria aprendemos a caminhar no bairro e na cidade não com sapatos cômodos de soluções mágicas, respostas instantâneas e efeitos imediatos, não há força de promessas fantásticas de um pseudo progresso que, pouco a pouco, a única coisa que consegue é usurpar identidades culturais e familiares, e esvaziar nossos povos daquele tecido vital que os sustentou”, refletiu o Pontífice.

Na escola de Maria, o Santo Padre afirmou aos fiéis, que todos aprendem a caminhar e alimentar o coração com a riqueza multicultural que habita o Continente. “Quando somos capazes de escutar esse coração recôndito que palpita em nossos povos e que custodia, como um pequeno fogo sob aparentes cinzas, o sentido de Deus e de sua transcendência, a sacralidade da vida, o respeito pela criação, os laços da solidariedade, da alegria, da arte do bem viver e da capacidade de ser feliz e fazer sem condições. Aí chegamos a entender o que é a América profunda”, comentou.

Além da caminhar, Maria cantou, ação vista pelo Pontífice como uma marca da alegria de quem canta as maravilhas de Deus. “Por sua vez, como uma boa mãe, suscita o canto, dando voz a muitos que, de uma forma ou de outra, sentiam que não podiam cantar. Dá a palavra a João, que pula no ventre de sua mãe. Dá a palavra a Isabel, que começa a abençoar. Ao ancião Simeão, o faz profetizar. E ensina o Verbo a balbuciar suas primeiras palavras. Na escola de Maria, aprendemos que a sua vida está marcada não por seu protagonismo, mas sim por sua capacidade de fazer com que os outros sejam protagonistas”, observou.

Nossa Senhora brinda a coragem, ensina a falar sobre tudo e anima a viver a audácia da fé e da esperança, de acordo com Francisco. Desse modo, o Papa afirmou: “Ela se torna transparência do rosto do Senhor, que mostra seu poder convidando-a a participar e a convoca na construção de seu templo vivo”. Segundo o Santo Padre, assim como fez com o índio Juan Diego, Maria retirou tantos outros do anonimato, e lhes deu voz, os fez conhecer seu rosto e história, e os fez protagonistas da história de salvação.

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“O Senhor não busca o aplauso egoísta ou a admiração mundana. Sua glória está em fazer seus filhos protagonistas da criação. Com o coração de mãe, ela busca levantar e dignificar a todos aqueles que, por diferentes razões e circunstâncias, foram imersos no abandono e no esquecimento”, completou. Francisco sublinhou, que na escola de Maria, homens e mulheres aprendem um protagonismo que não precisa humilhar, maltratar, desprestigiar ou zombar, e que não recorre a violência física ou psicológica.

“Esse é o protagonismo que não tem medo da ternura e da carícia, e que sabe que seu melhor rosto é o serviço. Em sua escola aprendemos o autêntico protagonismo, dignificar todo aquele que está caído e fazê-lo com a força onipotente do amor divino, que é a força irresistível de sua promessa de misericórdia”, afirmou o Papa, que prosseguiu: “Em Maria, o Senhor desmente a tentação de dar destaque a força da intimidação e do poder, ao grito do mais forte e do fazer-se valer baseado na mentira e na manipulação. Com Maria, o Senhor protege os crentes para que não se lhes endureça o coração e possam conhecer constantemente a renovada e a renovadora força da solidariedade capaz de escutar a batida de Deus dos homens e mulheres dos nossos povos”.

Para o Santo Padre, Maria não é somente recordada como indígena, espanhola hispana ou afro-americana: “Simplesmente é latino-americana: Mãe de uma terra fecunda e generosa na qual, todos, de um modo ou de outro, podem desempenhar um papel de protagonismo na construção do templo santo da família de Deus”. O Pontífice encerrou a homilia exortando os fiéis: “Filhos e irmãos latino-americanos, sem medo, cantem e caminhem como fez tua Mãe”.

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Fonte: Canção Nova

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