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O hino ao amor segundo São Paulo

O hino ao amor segundo São Paulo

(1 Corintios cap. 13,1 – 13)

Dom Pedro Carlos Cipollini – Bispo de Santo André

Pelo conhecer, recebo Deus para dentro de mim; pelo amor, ao contrário, eu entro em Deus” (Mestre Echhart, Sermões Alemães    v. I, n. 6, Vozes, Petrópolis, 2006, p.74)

Introdução

Sem amor, não há vida cristã. O ato de amor é o único caminho de salvação e realização para o ser humano. Existem várias interpretações para a palavra amor: amor – erótico (sexual), amor-filia (amizade), amor–ágape (charitas/caridade). É deste último que falamos aqui.

O amor “é força primordial do espírito dotado de atividade volitiva, força afirmadora e criadora de valores… é, ao mesmo tempo, a força mais poderosa para comunicar uma nobre estrutura à totalidade da vida humana e realizar em toda sua plenitude a ordem moral” (cf. W. Bruger in Dicionário de filosofia, Herder, S. Paulo, 1962, pp54-56). Muitos filósofos entre eles sobressai F. Nietsche, acusam o cristianismo de enfraquecer a raça humana ao pregar o amor e a misericórdia. Porém sabemos que a idéia da morte de Deus e do “super homem”, que toma o lugar de Deus, pode terminar sustentando o nazismo por exemplo, que terminou por produzir a segunda guerra mundial: momento histórico de loucura e falta de amor.

O amor jamais passará” (1Cor 13,8). O Papa João Paulo I, nos trinta e três dias de seu Pontificado, não teve tempo para grandes discursos programáticos, nem para escrever documentos. Existem, porém, quatro alocuções por ocasião do “Angelus Domini” (meio-dia na Praça S. Pedro) que são muito preciosas pela simplicidade da linguagem em que anuncia as mais profundas verdades. Especialmente emocionante é o último de 24 de setembro de 1978. Quatro dias depois, partiu inesperadamente para a eternidade.

1. Centralidade do amor

João Paulo I conta a história das dezesseis carmelitas do Mosteiro da Encarnação de Compiègne, condenadas à morte “por fanatismo”, durante a Revolução francesa (1789). Uma das irmãs pergunta ao juiz: “Por favor, o que quer dizer fanatismo?”. Responde o juiz: “É pertencerdes tolamente à religião”. “Ó irmãs!” exclama então a religiosa, “ouvistes? Condenam-nos pelo nosso apego à fé. Que felicidade morrer por Jesus Cristo!”. Na carreta que as leva ao cadafalso, cantam hinos religiosos. Chegando ao palco da guilhotina, uma atrás da outra, ajoelham-se diante da prioresa e renovam seus votos. Depois, entoam o “Veni Creator”. O canto se torna cada vez mais débil, à medida que caem, uma a uma, na guilhotina, as cabeças das pobres irmãs. Ficou para o fim a prioresa, Irmã Teresa de Santo Agostinho. Antes de ser executada, exclama: “O amor sempre vencerá, o amor tudo pode”. E o Papa João Paulo I acrescenta: “Eis a palavra exata: não é a violência que tudo pode, é o amor que tudo pode!” Foram as últimas palavras do Papa “sorriso de Deus”, dirigidas ao mundo. O amor consiste em não julgar nem condenar, mas perdoar; ser generoso, dar além do que é exigido como obrigação. É fazer o bem de forma gratuita, amor é misericórdia, o modo de ser de Deus ( cf. Lc 6, 36 –38).

“A vida social em convivência harmônica e pacífica está se deteriorando gravemente (…) pelo crescimento da violência, que se manifesta em roubos, assaltos, sequestros e, o que é mais grave, em assassinatos que cada dia destroem mais vidas humanas e enchem de dor as famílias e a sociedade inteira” (cf. Doc. Aparecida n. 78). Nem falemos das drogas que se alastram como o crack. O documento, porém, não registra apenas as desgraças do mundo em que vivemos, mas nos ensina o caminho para enfrentar essa dura realidade: “A radicalidade da violência só se resolve com a radicalidade do amor redentor”. Evangelizar sobre o amor de plena doação, como solução ao conflito, deve ser o eixo cultural “radical” de uma nova sociedade. Precisamos promover a “Civilização do Amor” como preconizava o papa Paulo VI.

O tema da primeira Encíclica do Papa Bento XVI, “Deus Caritas est”, é o Deus-Amor. O Papa afirma que 1Cor. Cap. 13 resume todas as reflexões que ele faz ao longo da sua Carta-Encíclica. Este Hino ao Amor “deve ser a Magna Carta de todo o serviço eclesial” (n. 34) diz o Papa. São Paulo ensina-nos que a caridade é sempre algo mais do que mera atividade. A ação prática resulta insuficiente se não for palpável nela o amor pelo ser humano, um amor que se nutre do encontro com Cristo. Bento XVI insiste que o amor não se deve restringir a dar ao próximo alguma coisa, o amor é muito mais: trata-se de um dar-se a si mesmo, de “estar presente no dom como pessoa”.

Santa Teresa do Menino Jesus intuiu esta verdade. Quatro meses antes de morrer, escreve num lindo poema: “Amar é doar tudo e doar-se a si mesmo” (da poesia Por que te amo ó Maria — de maio de 1897 in P 54,22). A vocação desta Santa Doutora da Igreja, sem dúvida alguma uma das maiores santas dos últimos séculos, é visceralmente ligada ao Hino ao Amor. Ela mesma conta a sua história: Encontrei esta frase sublime: “Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente” (1 Cor 12,31). O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem o AMOR, e este amor é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus (…). O amor deu-me o eixo da minha vocação (…). Entendi que a Igreja tem um coração, e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno (…). Encontrei, afinal, minha vocação: minha vocação é o amor (…). No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor.” (Manuscrito “B”,3v).

Santa Terezinha do menino Jesus foi digna discípula de São João da Cruz, de quem leu as obras com atenção, ele que deixou escrito: “No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor” (cf. Ditos de Amor e luz n. 58). O amor que damos e recebemos é uma realidade que nos leva mais e mais para perto de Deus. “O meio único de conhecimento completo está no ato de amor, esse ato transcende o pensamento e as palavras. É mergulho ousado na experiência de união” (E. Fromm, A arte de amar, Ed. Itatiaia, B. Horizonte, 1976, p.55).

2. Hino ao Amor

O Hino ao Amor é geralmente circunscrito ao capítulo 13 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 13,1–13). No entanto, o versículo anterior ao capítulo 13 é introdutório e faz compreender melhor o que segue: “Aspirai aos dons mais altos. Aliás, passo a indicar-vos um caminho que ultrapassa a todos” (1 Cor 12,31). O “caminho” de que Paulo fala são “as normas” ( dogmata = os caminhos) de vida em Cristo Jesus” que ele ensina “em toda parte, em todas as Igrejas” (1 Cor 4,17). A esta introdução, corresponde também o imperativo enfático na conclusão do hino no versículo 14,1a: “Procurai o amor” ou, então, melhor traduzido, “Empenhai-vos pelo amor”. Neste sentido, o Papa Bento XVI insiste em afirmar que 1 Cor 13 deve ser a Magna Carta de todo o serviço eclesial, sem dúvida, de modo especial, do serviço que os presbíteros, bispos e também de todos os cristãos batizados. O amor se traduz em fraternidade e solidariedade.

Cada um de nós já se colocou o maior problema de todos os tempos, da antiguidade a hoje: qual é o bem supremo bem (summum bonum)? Alguns acham que no campo religioso é a fé, mas na verdade escreve Paulo: “…de todas, a maior é a caridade, o amor” (1Cor 13,13). Jamais o esforço humano muda o coração do homem. O que muda o coração do homem é o amor, não tanto o amar, mas o “ser amado”. O que muda o coração do homem é abrir-se ao amor do outro. Ademais, “a fé age pela caridade” (Gl 5,6).

O Hino ao Amor é escrito numa prosa ritmada com muitos verbos e figuras retóricas. É uma página toda especial da Primeira Carta aos Coríntios, depois das exortações e advertências sobre as assembleias (cf. 1 Cor 11,2 ss), a “Ceia do Senhor” que exige uma convivência de amor (cf. 1 Cor 11,17 ss) e ainda os dons do Espírito, a diversidade dos carismas na unidade do “Corpo de Cristo” (1 Cor 12). De repente, Paulo muda de estilo e eleva seu ensinamento a um tom muito solene. São três partes distintas: Não há carisma sem amor (13,1–3); O que é e o que não é o amor (13,4–7); O amor é eterno (13,8–13).

3. Não há carisma (dom ) sem amor

Paulo é categórico. Sem o Amor, nenhum carisma ou dom se legitima. Pelo contrário, deixa até de ser carisma. O que faz um carisma ter valor, para toda a comunidade, é que seja exercido com amor. Não adianta falar as línguas dos anjos, nenhuma profecia faz sentido, se não tiver Amor. Ajudar os pobres e dar de comer aos famintos não conta, nem sequer o próprio martírio, se não for fruto, consequência do Amor. O Amor aparece aqui quase que “personificado”. Paulo não conjuga o verbo “amar”, mas enuncia o substantivo e usa a expressão “ter Amor”. Esse Amor que inspira e acompanha todas as obras, é reflexo de Deus! Amar é fazer Deus presente no mundo. “Amar o próximo” está intrinsecamente ligado ao “amar a Deus”. São João se expressará assim: “Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós” (1 Jo 4,12). Considera uma mentira existencial desligar o amor a Deus do amor ao irmão. “Quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 Jo 4,20).

“O nosso Amor a Deus se mede pelo amor ao próximo” escreveu Edith Stein. Seria sacrilégio desvincular o amor ao próximo do Amor a Deus, louvar a Deus com “as línguas dos anjos”, mas deixar de “contemplar os rostos daqueles que sofrem”, de apontar para as enfermidades estruturais da sociedade e dar-se conta de que “uma globalização sem solidariedade afeta negativamente os setores mais pobres. Já não se trata simplesmente do fenômeno da exploração e opressão, mas de algo novo”, afirma o Documento de Aparecida: “a exclusão social. Com ela a pertença à sociedade (…) fica afetada na raiz, pois já não está abaixo, na periferia e sem poder, mas está fora. Os excluídos não são somente explorados, mas supérfluos e descartáveis” (Doc. Aparecida n. 65). Só o Amor consegue ver com os olhos de Deus, os fracos e condenados à morte antes do tempo. Só o Amor consegue desvendar, a partir do coração de Deus, as causas dessa realidade iníqua que é fruto de estruturas injustas, falta de amor que gera a falta de ética nos relacionamentos.

Do ponto de vista da mística cristã, “o amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em ter uma grande desnudez e em padecer pelo Amado” escreve S. João da Cruz (in Ditos de Amor e Luz, n. 113). Padecer pelo Amado presente nos sofredores deste mundo. De certa forma, é completar “o que falta” à paixão de Cristo como escreve S. Paulo (cf. Col. I, 24).

4. O que é e o que não é o amor

Paulo não fornece uma definição de “amor“. Nada de especulação teórica, de floreados românticos sobre o amor. Jesus também não respondeu com um conceito abstrato à pergunta do doutor da lei: “Quem é o meu próximo?” (Lc 10,29). Passou a contar a linda parábola do Bom Samaritano. Em cinco versículos, Paulo apresenta quinze características do Amor, quinze hábitos a serem cultivados. Nas duas qualidades que o Antigo Testamento reserva para Deus (paciência e bondade), o que importa são atitudes, comportamentos que o Amor suscita! O Amor tem de ser “concreto”, “pé no chão“!

Começa com dois atributos (paciência/longanimidade) e, depois, (bondade/ amabilidade). No Antigo Testamento, a “paciência” e “longanimidade” de Deus estão intimamente relacionadas à sua misericórdia com os pecadores: “Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações e perdoa culpas, rebeldias e pecados“ (Ex 34,6–7) “O senhor é paciente e misericordioso” (Nm 14,18). A “bondade“ também está ligada à misericórdia, revela a face “feminina“ de Deus. A palavra misericórdia, equivalente na língua hebraica a “rahamim, já pela própria raiz, se refere ao amor da mãe (rehem= seio materno). Da unidade que liga a mãe à criança aninhada debaixo de seu coração, brota o amor totalmente gratuito: a bondade, a ternura, a paciência, a compreensão… enfim, a misericórdia.

O Antigo Testamento atribui a Deus estas características: “Pode porventura a mulher esquecer-se do seu filho e não ter carinho para com o fruto das suas entranhas? Pois ainda que a mulher se esquecesse do próprio filho, eu jamais me esqueceria de ti” (Is 49,15). Este amor se manifesta de modo especial no perdão: “Eu os curarei das suas infidelidades, amá-los-ei de todo o coração” (Os 14,5). Paulo coloca estes atributos “divinos“, a paciência-longanimidade e a bondade-misericórdia, como primeira característica do Amor. Assim, o Hino recomenda que vivamos a paciência-longanimidade e a bondade-misericórdia para com o próximo como (= na mesma medida, do mesmo jeito) Deus o manifesta para conosco. Paulo mostra que o amor/caridade é composto como a luz, quando vista em um caleidoscópio.

Vêm, em seguida, oito enunciados negativos, esclarecendo o que o Amor não é, e jamais pode ser, o que não faz e nunca permite que se faça:

“não é invejoso”: O Amor não conhece inveja, ciúme, ambições, carreirismo, rivalidades, paixões que tanto envenenam a convivência humana e tanto mal fazem à nossa Igreja.

“não se ostenta“ (“não é presunçoso“, “não é fanfarrão“): O Amor não se preocupa com a fama! Não procura publicidade, popularidade.

“não é orgulhoso“ (“não se incha de orgulho“): O Amor exclui todo tipo de arrogância e ostentação, soberba e vanglória, tirania e prepotência.

“nada faz de inconveniente“ (“vergonhoso“): O Amor jamais atenta contra a moral e a honra, a dignidade de quem quer que seja. São invioláveis a intimidade, a vida privada e a honra das pessoas.

“não procura o seu próprio interesse“: O Amor não é egoísta, não calcula vantagens pessoais, não pergunta: “o que ganho com isso?“

“não se irrita“ (“não se encoleriza“):O Amor é sereno, dialoga e procura entender, não perde o equilíbrio emocional a ponto de causar mágoas ao próximo.

“não guarda rancor“ (“não leva em conta o mal sofrido“) O Amor cobre ofensas com o manto do perdão, jamais apela para a vingança, nunca parte para o revide.

não se alegra com a injustiça”, mas fica alegre com a verdade. O Amor sofre com a injustiça que é fruto do ódio, desrespeito e desprezo à dignidade da pessoa humana feita à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26). Mas se regozija com tudo que é verdadeiro, autêntico, inspira confiança, tudo que promove o relacionamento aberto, sincero, transparente entre as pessoas, aposta na fidelidade total, indestrutível e irrevogável. Para Paulo, o antônimo de injustiça é a verdade, que aqui significa a conduta correta, o reto proceder diante de Deus, o “andar com Deus”.

Os oito enunciados negativos que indicam o que o Amor não é as dissonâncias causadoras de tanto mal-estar e ansiedade na comunidade, de repente, cedem lugar a uma afirmação cabal. Dissolvem-se as nuvens cinzentas. Raia o sol anunciando, numa harmonia divina, tudo aquilo que o Amor encerra:

“Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Mas estes quatro “tudo“ ainda não são o final da Sinfonia do Amor! São os primeiros acordes que introduzem o tema do último movimento que culminará com a retumbante apologia ao Amor: “a maior delas é o Amor”. Vejamos agora porque o amor é maior:

5. O amor é eterno: jamais passará

Creio que as palavras de Teresa D’Ávila dão a este versículo central do hino do Amor escrito por Paulo (cf. 1Cor 13,8) a devida amplitude: “Nada te turbe, nada te espante! Todo se pasa! Dios no se muda. La paciencia todo lo alcanza. Quien a Dios tiene, nada le falta. Solo Dios basta!”. Tudo passa: poderes e posses, glórias e grandezas, honras e títulos honoríficos, louvores e láureas, profecias e erudição, conhecimento e ciência! “Ora, o mundo passa“ (1 Jo 2,17) escreve São João. “Nossos dias se dissipam (…), acabam nossos anos como um sopro (…), passam logo e nós voamos”. Salmo 90 (Salmo 90,9–10). Mas o Amor jamais passará, porque “Deus é Amor: aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele“ (1 Jo 4,16).

Só Deus basta!“, pois ele é Amor. Só ele é capaz de saciar nosso coração. Enquanto peregrinamos neste mundo “permanecem fé, esperança e caridade“. Pela fé, “prova de realidades que não se veem“ (Hb 11,1), almejamos um dia ver a Deus “face a face“, conhecê-lo como Ele é, amá-lo sem fim e limites, passar “ex umbris et imaginibus in veritatem”(card. J. Newman). Na “visio beatífica”, não há mais fé, pois experimentaremos finalmente na imorredoura felicidade “o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, tudo o que Deus preparou para os que o amam“ (1 Cor 2,9). A Esperança, “qual âncora da alma, segura e firme“ (Hb 6,19), dissipar-se-á no maravilhoso amanhecer da eternidade em que a montanha sagrada aparecerá luminosa e o Amor invadirá e encherá todo nosso ser sem jamais ter fim.

“A maior delas é o amor”, porque: “Deus é Amor“ – “Deus Caritas est” (1Jo 4,16). “Toda a Lei encontra sua plenitude em um só mandamento: amor (Gl 5,14). Mas ainda estamos a caminho, e Santo Agostinho nos aconselha: “Amando o próximo e cuidando dele, vais percorrendo o teu caminho. E para onde caminhas senão para o Senhor Deus, para aquele que devemos amar de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de toda a nossa mente? É certo que ainda não chegamos até junto do Senhor; mas já temos conosco o próximo. Ajuda, portanto, aquele que tens ao lado enquanto caminhas neste mundo, e chegarás até junto daquele com quem desejas permanecer para sempre”. A felicidade só pode ser encontrada em um amor não-egoísta, este amor que é morrer sem se acabar.

Conclusão

Para concluir esta simples reflexão sobre tema tão sublime qual seja o amor, miolo da mensagem de Jesus, não achei outras palavras mais significativas do que as que seguem, extraídas dos escritos de Balduíno, bispo de Cantuária, que viveu no século XII: “Forte é a morte, poderosa para despojar-nos do revestimento deste corpo. Forte é o amor, poderoso para roubar os despojos da morte e no-los entregar de novo. Forte é a morte; a ela, o homem não pode resistir. Forte é o amor que pode vencê-la… Assim será quando for insultada e ouvir; “Onde está ó morte, teu aguilhão? Onde está, ó morte, a tua vitória? (1Cor 15,55). O amor é forte como a morte (cf. Ct 8,6), porque é a morte da morte.” (in Tratados, PL 204, 513–514).

(Texto publicado pela Academia Amparense de Letras)

Fonte: Diocese de Santo André

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