Sabedoria
Pe. Romano Bevilacqua
Recordações
Outro conto do Vigário
Quando era pároco na igreja do Rudge Ramos, encontrei um senhor que bebia muito e tinha se separado da mulher. Ele tinha uma filha de oito anos. Uma tarde me apareceu chorando e pedindo uma ajuda para providenciar o enterro da sua filhinha que estava sendo velada no cemitério da Paulicéia.
Duvidando da sinceridade do mesmo, lhe propus de irmos juntos até o cemitério, ele aceitou a proposta e entrou no meu carro. Depois de ter andado uns cem metros, me pediu de parar e desceu confessando que tinha mentido. Dessa vez me livrei de cair no conto do enterro.
Noutra vez , quando pároco da Igreja da Nossa Senhora da Paz em São Paulo, de manhã cedo, me aparece um senhor com aquela cara típica de cearense. Dizia-se marido de dona Tereza, secretária do Apostolado da oração, que moravam na Rua Tabantiguera. Dizia que era caminhoneiro e que precisava de ajuda para comprar uma peça do caminhão que tinha quebrado e estava parado, não muito longe, com carga para entregar. Conseguiu me convencer e lhe emprestei dinheiro para conseguir o conserto.
Só que se tratava de um vigarista e sumiu não tendo nada a ver com dona Tereza. Três anos depois, me transferi para a Matriz de Santo André. De manhã, aparece o mesmo cara de pau, contando quase a mesma história. Era um cara que já tinha encontrado e me lembrei do caso da Igreja da Paz. O peguei pelo colarinho e lhe disse que já o conhecia e que saísse imediatamente, caso contrário o entregaria à polícia. Na hora virou-se e foi embora, desta vez consegui safar-me de mais um vigarista.