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Hora de superar a crise

Desnecessário é repetir que vivemos neste momento uma crise. Crise no sentido positivo, que significa um momento de decisão e responsabilidade para todos. O problema não é a crise, mas o que se faz com ela. Pode servir para o crescimento ou para o retrocesso.

Terminaram as eleições, é hora de união de todos para sairmos da situação dramática na qual nos encontramos, e na qual os que mais sofrem são os mais pobres.   Os bispos católicos exortam: “Que se deponham as armas de ódio e de vingança que tem gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. Toda atitude que incita à divisão, à discriminação, à intolerância e violência, deve ser superada. Revistamo-nos, portanto, do amor e da reconciliação, e trilhemos o caminho da paz” (Nota da CNBB 24/10/2018).

Estamos em crise política, termina um ciclo e inicia-se outro. Somos convidados a refletir sobre nossa realidade social e servirá muito para reflexão o que escreveu o Padre Júlio Maria: “Todo o mal do Brasil é que a política é uma profissão; mas os políticos não são profissionais”. Também serve o que ensinou o papa Paulo VI: “A política é uma maneira exigente, se bem que não seja a única, de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros” (cf. AO n 46).

Não se pode desistir de fazer política, a boa política que se baseia na busca do bem comum dentro do respeito e da cooperação de todos. Mais que uma ciência, a política é uma arte. Ela não se faz com pensamentos rasteiros e atitudes mesquinhas com base em ressentimento e vingança. Os grandes estadistas, políticos que marcaram a história, foram pessoas de coração grande, visão inteligente e ampla da realidade, além da generosidade, para colocar a busca do bem comum acima da busca de interesses pessoais ou de grupos.

Neste momento em que encerram as eleições devemos voltar nossos olhos para o futuro que queremos. Um país que inclua todos sem exceção. Devemos potenciar o valor das instituições, evitando qualquer solução que atente contra a democracia e o estado de direito. É preciso renovar a confiança no diálogo, com base no respeito recíproco, que deve pautar sempre o relacionamento entre todos os segmentos da sociedade.

O anseio de chegar a uma sociedade justa e solidária, que responda aos desígnios de Deus, deve nos levar à superação do individualismo e à capacidade de captarmos o ponto de vista do outro, seus valores e intenções. Só assim poderemos superar a lei do mais forte, a corrupção e a incompetência na política. É na prática do diálogo que podemos evitar os conflitos, e todo tipo de opressão.

Que não percamos a esperança. A união de todos é a força da Nação. O Brasil vai reencontrar o seu caminho de paz social na medida em que souber conjugar o pleno respeito ao estado de direito com promoção efetiva das metas sociais. Isto implica renúncia a interesses de grupo, livrar-se da tentação do regime de arbítrio. E não podemos nos esquecer que tudo isto, toda boa política é marcada pela fidelidade plena às exigências do bem comum que fundamenta o regime democrático o qual deve ser preservado com o empenho de todos.

É ora de superar a crise promovendo o diálogo, o entendimento e o bem comum. Que Deus nos ajude a evitar toda violência e construirmos a paz que almejamos.

Dom Pedro Carlos Cipollini

Bispo Diocesano de Santo André

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Fonte: Diocese de Santo André

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