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Homilia – Dia da Vida Consagrada

2.2.2017

Catedral Nossa Senhora do Carmo

Saúdo de coração todos vocês que vieram celebrar o “Dia Mundial da Vida Consagrada”. Cada comunidade, cada pessoa aqui presente ouviu o chamado e disse seu sim para um seguimento todo especial de Jesus.

A liturgia de hoje é muito significativa para todos nós. É a festa da Apresentação do Senhor, festa da luz, porque Jesus é a luz do mundo. Sua mãe Maria nos apresenta Jesus, ela que foi a primeira a aderir e colaborar com a obra da redenção. Com São José seu esposo, foram os primeiros a receberem a Luz que é Cristo ( Lc 2, 22-40).

Receberam Jesus, são os primeiros a se encontrar com ele, viram onde Ele mora (mistério da Trindade), e se dispuseram a ficar ao seu lado. Este estar com Jesus é sinalizado por vocês, pelos votos de pobreza, castidade e obediência. É uma vida consagrada, uma vida de consagração na qual a oração tem um papel preponderante.

Ele nos é continuamente apresentado na oração (encontro com Deus) e na vivência da caridade, no encontro com os irmãos. De fato, a vida de oração é o mais importante. O espírito orante é a capacidade de, ao mesmo tempo, vivermos intensamente envolvidos no mundo e estar profundamente imersos no Deus que o fez. De fato, devemos rezar, não para que Deus nos escute, mas para podermos escutar Deus em nós.

           Os religiosos e religiosas lembram à Igreja toda, que a vida espiritual é o fundamento da vida e não algo acessório, que faz parte… Na oração os interesses de Deus passam a ser os nossos também. Na nossa cultura estamos sempre em movimento, a caminho de outro lugar qualquer. Raramente temos tempo para nos sentar, com simplicidade, na presença de Deus e esperar por Ele, esperar que Ele nos ilumine.

            Se me permitem gostaria de compartilhar com vocês uma reflexão: que pode ajudar nossa vivência da vocação religiosa no sentido de deixar Jesus nos iluminar através do encontro com Ele e os irmãos e irmãs. Vou usar uma comparação que chamo das três mesas. Nosso encontro em torno destas três mesas é capaz de nos unir e dar forças na vivência de nossa vocação.

            A primeira mesa é a mesa da comunidade religiosa. É a mesa da convivência em casa, sinalizada pelas refeições na comunidade: café, almoço, jantar. Ali se encontram os religiosos membros da mesma comunidade, para fazerem a refeição. Assim como Jesus ceiava nas casas, assim como as famílias tomam refeição em comum, as nossas comunidades devem manter este espaço de convivência, capaz de aglutinar e sinalizar a união, fraternidade, amizade que une os membros da mesma casa, da mesma comunidade. O momento da refeição em comum é momento sagrado de encontro, de iluminar, de deixar-se iluminar pelo outro num ambiente de luz: a luz da caridade. A mesa da sala de jantar não é somente um lugar para os alimentos do corpo, mas também um lugar do alimento de Deus em vários níveis. É sempre um desafio para nossa vida comunitária, em uma sociedade marcada pelo individualismo.

            A segunda mesa é a mesa da refeição Eucarística. A celebração Eucarística é ponto de chegada e de partida, é ponto de convergência. A Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia. Nossa pertença à comunidade eclesial se consolida a cada Eucaristia da qual participamos. Ela nos estreita na união com o Corpo Místico de Cristo, nos projeta para o futuro escatológico sinalizado com na vida consagrada: um mundo regido pela justiça de Deus e seu amor misericordioso. A mesa da Eucaristia nos coliga com o serviço diário segundo nosso carisma e nos projeta para a atuação em favor do Reino de Deus. A mesa da Eucaristia esta ligada à mesa da comunidade que sinaliza a nossa fraternidade.

            A terceira mesa, é a mesa da solidariedade global com toda a Criação. Interligados a Jesus, a partir de nossa mesa da comunidade e da mesa da Eucaristia, somos projetados para a missão: a “mesa do outro”; pessoas que estão esperando para serem iluminadas por nós com o anúncio da Boa Nova do Evangelho. Recordo aqui que os dois padroeiros das missões são religiosos: São Francisco Xavier (jesuíta) e Santa Terezinha do Menino Jesus (carmelita), dois consagrados, portanto!

            É na alegria da fé que hoje queremos agradecer a Deus pelo dom da vida consagrada que ele concede à sua Igreja. Agradecer a vocação, agradecer o empenho de todos no testemunho evangélico, agradecer enfim, o dom da Alegria vivida e anunciada por vocês, consagrados e consagradas, no meio de nós.

            A Diocese de Santo André quer por sua vez agradecer a vocês que fazem parte dela, pelo engajamento e participação na pastoral e demais setores de nossa Igreja Diocesana. Convido-os a se envolverem sempre mais com nossa Igreja de Santo André, em especial neste ano em que vivemos nosso Sínodo Diocesano.

Deus lhes pague e abençoe aumentando sempre mais a luz da fé em vossos corações. #

+ DOM PEDRO CARLOS CIPOLLINI – Bispo Diocesano

 

 

 

 

Fonte: Diocese de Santo André

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