Sabedoria


Pe. Romano Bevilacqua

Recordações Piraporinha era uma das capelas da paróquia de São Bernardo e um dos bairros mais pobres; o único recurso eram as olarias que davam serviço a várias famílias proveniente de Minas Gerais e do Norte do Brasil. Era Considerado como Nazareth do Evangelho quando diziam: “pode sair algo de bom de Nazareth?” e se falava de Piraporinha.

Naquele tempo existia só um cemitério em São Bernardo: aquele de Vila Euclides e quando morria alguém, logo vinham chamar o padre da matriz para encomendar o corpo.

A maioria morria sem Sacramentos e assim avisei na capela que se alguém morresse sem chamar o padre enquanto vivo não adianta chamar depois de morto; claro com exceção de morte repentina.

Ficaram tão impressionados que quando alguém ficava com dor de cabeça ou dentes, vinham logo chamar o padre. Uma vez morreu um senhor japonês que era católico desde o Japão e tinha participado da Irmandade do SS. Sacramento. O enterro foi de domingo e uma representação dos nossos irmãos foi participar do funeral.

Os costumes dos japoneses o ofereciam frutas e comida aos presentes que para se livrar começaram rezar o terço até chegada do padre. O padre que tinha acabado de celebrar a Missa em Rudge Ramos, chegou atrasado e chegou quando já estavam rezando o terceiro terço; em seguida saímos para o cemitério da Vila Euclides rezando, durante o percurso, mais terços; e assim foi evitando o constrangimento da comida.

Os japoneses depois de enterro costumavam juntos com flores e velas, deixar frutas que depois os coveiros distribuíam entre si.

Agora Piraporinha não é mais como Nazareth, mas uma região de progresso e pertence a Diadema.