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Em favor da família

Visitando uma Câmara Municipal em nossa diocese, acompanhado dos padres da cidade, conversávamos com os vereadores, que, aliás, nos receberam muito bem, como cidadãos que somos também, buscando o que é melhor para o povo. A determinado momento do diálogo percebemos que todos os problemas convergiam para a falta da família, hoje em crise, não conseguindo formar cidadãos, muitas vezes delegando às escolas e ao Estado um papel insubstituível que é da família. Sem o cuidado da família a criança cresce desorientada e a situação vai se agravando.

O Papa Francisco, sensível a este sentimento geral que perpassa a sociedade hoje, na “crise antropológica”, que estamos vivendo, após realizar dois Sínodos sobre a Família, nos entregou a Exortação Apostólica Amoris Laetitia (A Alegria do Amor). O papa quis que pensássemos a família no mundo moderno e pós-moderno.

Nela, à luz da Palavra de Deus, são apontados os desafios das famílias, a vocação familiar, o plano de Deus, amor no matrimônio que se torna fecundo, a educação dos filhos e a espiritualidade conjugal. É um grande subsídio para orientar os casais que desejam viver o ideal de família conforme o plano de Deus que está na Bíblia.

O matrimônio deve ser vivido pelo casal como fonte de alegria e realização humana. O papa não se limita a anunciar o evangelho da família, que é o santuário da vida, ele enfrenta com realismo e coragem situações de sofrimento e ruptura que provocam feridas nos diversos membros da família. O ser humano deseja uma família, e seu desejo coincide com o plano de Deus. Ninguém deve desistir de procurar construir uma família sempre contando com o amor misericordioso de Deus, em seu abraço de ternura e misericórdia.

O papa Francisco deixa claro que a doutrina do matrimônio permanece intocada, porque vem diretamente de Jesus. Assim, convida a anunciar a boa nova da família, segundo os desígnios de Deus, como o melhor caminho para viver o amor que é comunhão (cf. AL n. 330). Qual é então a novidade? A grande inovação está na postura da ação pastoral, isto é, no convite a acolher todas as pessoas sem condenar quem, por circunstâncias diversas, não conseguiu viver bem a realidade de sua família e chegou a romper os vínculos através do divórcio constituindo uma segunda união.

Então o que é preciso fazer? O papa recomenda que a Igreja acolha, acompanhe, ajude a fazer um discernimento e integrar a fragilidade das pessoas envolvidas nos dramas familiares, e que muitas vezes não encontram seu lugar na Igreja. Existe sim um lugar na Igreja para os casais em crise ou separados ou em segunda união. A pastoral da Igreja é convidada a acompanhar os casais, recém-casados, os que enfrentam dificuldades, para que não se sintam excluídos da comunidade eclesial. A palavra integração muitas vezes usada pelo papa como o contrário de exclusão (cf. AL n. 297).

Alguns podem ler a insistência do papa para que haja integração dos casais em segunda união, como uma abertura para receberem a Eucaristia, a santa comunhão. Não é apresentada esta possibilidade de maneira explícita. Não se pode deduzir isto do texto. Isto nada retira do texto a percepção da grandeza da proposta do papa Francisco, na linha da misericórdia e carinho, sinais de Deus na presença dos casais que sofrem com a separação e o desencontro.

A Igreja deve e quer acolher a todos em especial os casais que sofrem e precisam do apoio e compreensão no seu empenho para viver o ideal da família que é projeto de Deus para o ser humano. As comunidades católicas em nossa Diocese do Grande ABC devem sempre mais procurar este caminho de acolhimento fraterno. Deus nos guarde nesta bela missão de ajudar as famílias.

Escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o Diário do Grande ABC

Fonte: Diocese de Santo André

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