Sabedoria
Pe. Romano Bevilacqua
Recordações
O sogro de Cristo
Antigamente, quando uma moça se consagrava a Deus na vida religiosa, era chamada de “esposa de Cristo”.
Na paróquia do Rudge Ramos, encontrei um senhor que diariamente freqüentava a Missa e comungava. Tinha vários filhos, aos quais transmitia a formação cristã.
Uma filha pediu autorização do pai para entrar numa congregação religiosa. Com muita alegria concordou com a escolha da filha, e diariamente agradecia a Deus por sua vocação religiosa e, brincando, o chamei de “sogro de Cristo”.
Alcançou uma boa idade. No fim, tendo adoecido e não podendo mais participar da Missa, semanalmente o visitava e lhe levava a Comunhão.
Na última vez em que o visitei, lhe administrei o sacramento da Unção dos Enfermos com muita serenidade e alegria, causando admiração entre os presentes. Um dos filhos perguntou: “Pai, não tem medo de morrer?” A resposta foi “não, meus filhos, vocês sempre foram bons para comigo, me amaram e obedeceram, agora vou me encontrar com meu genro (Jesus), me apresentarei dizendo ‘está aqui seu sogro’. Não vejo a hora de conhecê-lo e, com certeza, há de me receber com carinho e amor.”
Aproveitando da situação comovedora, pedi: “quando chegar, diga a seu sogro que Pe. Romano manda lembranças.”
A fé daquele pai simples comoveu a mim e aos demais presentes. Ele me respondeu: “com certeza, padre.” E entregou a sua alma numa morte serena e santa.
Um exemplo para todos nós que temos medo da morte. Foi a morte de um justo.