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Cultura da Comunhão

Nossa sociedade está centrada na expressão das necessidades e é ela que reordena a produção e o consumo. Somos cada dia mais pessoas que necessitam de muitas coisas para viver bem.

A certa altura nos perguntamos: Mas o que é mesmo necessário, ou qual é o mais necessário?

Acabamos de celebrar o Natal e é a partir deste acontecimento, o nascimento de Jesus, o Filho de Deus, que podemos responder a esta pergunta.

Jesus nascendo em pobreza nos indica que o mais necessário não é possuir, ter, mas como sabemos, o mais necessário é “ser” uma pessoa plenamente humana.

Hoje corremos o risco de perder nossa “humanidade” e centrar ou apostar nossa vida na satisfação de inúmeras necessidades que nos abrigam a cada dia ter mais e mais.

Jesus nos ensina com gestos, mais que palavras, a valorizar o encontro. Ele veio ao nosso encontro, assumindo nossa humanidade.

O encontro nos torna pessoas: um nó de relações capazes de nos integrar conosco mesmo e com os outros, com a natureza e com Deus.

Impressiona hoje o fato de as pessoas poderem possuir tantas coisas e estarem sempre descontentes, infelizes!

É preciso resgatar a cultura do encontro no qual se pode conviver, conversar, crescer junto. O ser humano não foi criado para o individualismo que infelizmente é uma das marcas de nossa cultura. Foi criado para o convívio e a comunhão. Só assim poderá se tornar plenamente humano.

Escrevo esta reflexão a partir de uma realidade que visito com alguns padres e seminaristas de nossa Diocese de Santo André. Estamos realizando uma missão, como chamamos, na Bahia, mais precisamente em Bom Jesus da Lapa.

Nestes dias visitando as pessoas, levando o Evangelho, ouvindo e abençoando, constatamos o quanto precisamos disso: Comunhão promovida pelo encontro de irmãos e irmãs que viajam no mesmo barco rumo a um destino comum.

Peçamos a Deus que nos ajude a criar uma sociedade capaz de vencer os apelos para o consumismo e o individualismo. Que possamos criar uma cultura do encontro para que diminua a violência, a solidão, o desânimo e o desespero.

Que este ano, que estamos iniciando, nos traga a paz, que é dom de Deus, mas também, fruto de nosso esforço por criar comunhão e união entre nós.

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini

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Fonte: Diocese de Santo André

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