Procissão do Carroceiros


Em tempos passados, eram realizadas grandes festas em honra aos santos na chamada Vila de São Bernardo, destacando-se entre as mais importantes a dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem, tendo registro dela já no século XIX..

A primeira, organizada pelos carroceiros, aconteceu em 1917, quando um grupo deles se reuniu para festejar a sua padroeira, e a partir dessa data, entrou para a história da cidade, como importante e singular manifestação folclórico-religiosa.

Esses festejos sempre foram realizados no mês de setembro,, ocasião em que os carroceiros compareciam com muita devoção, e engalanados, para prestar suas homenagens. Ofereciam as mais variadas prendas, frutos do seu trabalho, como tijolos, lenha, carvão, areia, batatas, além de galinhas, cabritos, etc., que eram então vendidas. Com a renda obtida, garantiam os custos da festa e até a ajuda para obras da Igreja.

Durante a semana que antecedia a festa, os carroceiros e chacareiros recolhiam as prendas e, no sábado à tarde, traziam-nas até o Largo da Matriz para entregá-las aos festeiros. Essas prendas chegavam de diferentes bairros da cidade: Demarchi, Rudge Ramos, Rio Grande, Baeta Neves, Batistini, e até mesmo de Santo Amaro e São Paulo.

À tarde do dia da festa, os carroceiros chegavam com suas carroças enfeitadas de bambu, fitas e flores multicoloridas, acompanhando a Procissão do Mastro. Percorriam as ruas centrais da cidade, tendo à frente o carro de boi conduzindo o Pau do Mastro, seguido de um grupo de crianças que carregava a bandeira com a figura de Nossa Senhora estampada. A banda de música local animava a procissão. Muitos devotos, colonos e populares também seguiam o cortejo.

Depois da procissão, os devotos eram recebidos na Matriz, pelo capitão do mastro e pelo alferes da bandeira, e também pelos festeiros, padrinhos além de grande multidão. Então era erguido o mastro ao som da banda de música e do espocar de fogos de artifício. Com essa cerimônia, estavam abertos oficialmente os festejos em louvor da padroeira. Os carroceiros acomodavam seus animais, e se dirigiam para a “Casa da Santa”, onde lhes era servido jantar com bebidas. Na praça, a festa continuava pela noite a dentro, com barracas de comes e bebes, jogos de diversão, leilão de prendas e muita animação popular.

A função prosseguia na manhã do dia seguinte, com missa solene às 10 horas. Antes, porém, os festeiros, o vigário, coroinhas e membros das associações religiosas, todos paramentados, desciam até à capelinha para buscar a imagem de Nossa Senhora e a conduziam até à Matriz. Terminada a cerimônia litúrgica, a imagem permanecia exposta em lugar de honra, para veneração dos fiéis.

À tarde, saía a procissão, a pé, percorrendo o mesmo trajeto do dia anterior, com a presença de andores dos santos padroeiros das diversas associações religiosas.

À noite, o leilão e as barracas funcionavam até altas horas e no encerramento das festividades havia grande queima de fogos de artifícios.

A festa guardou essas características até 1965, passando por fases de maior ou menor participação e animação popular.

São Bernardo vivia uma nova era, passando por grandes transformações. À medida que foram desaparecendo os primitivos meios de transporte de tração animal, e introduzidos os veículos motorizados, a procissão foi definhando, até chegar a ponto de não ser nada além de um grande desfile de carros, realizado num domingo de setembro, com a presença da histórica imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem.

No ano de 1973, a festa da Padroeira foi transferida para o dia 8 de dezembro, por decisão do conselho paroquial.

Em 1976, a Irmã Myria Kolling, compõe o Hino da Padroeira, que é cantado até hoje. Neste mesmo ano, através do Decreto nº 5254, do dia 3 de novembro, a Prefeitura do Município, incluiu a Procissão dos Carroceiros no Calendário de Comemorações Oficiais do Município.

Apesar desta oficialização e de todo o esforço da comunidade paroquial, bem como do órgão oficial, o evento não alcançou o sucesso esperado. Somente em 1980, quando um grupo de pessoas interessadas se propôs a organizar a festa nos moldes antigos, isto é com a participação dos carroceiros, é que a festa volta a ter brilho.

O grupo acima referido, dividiu entre si as tarefas e saiu pela periferia da cidade e de municípios vizinhos, fazendo a distribuição dos programas e convidando os carroceiros para participarem do evento.

Foi uma surpresa o comparecimento de mais de cem deles, entre cavaleiros e carroças e carroceiros, todos eles ricamente enfeitados homenageando assim a Mãe de Deus, estabelecendo-se um novo marco na história da Procissão dos Carroceiros.

Felizmente, ano a ano esse tradicional acontecimento é reavivado e alcançou tal sucesso, que passou a integrar o Calendário Turístico do Estado de São Paulo, através da lei nº 4.525, de 2 de julho de 1984.

Atualmente a festa é realizada no 1º domingo de setembro, obedecendo o seguinte esquema:

No domingo anterior à festa, após a missa das 7 horas na Igreja Matriz, a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem é levada solenemente em carro do Corpo de Bombeiros e acompanhada por uma carreata, até uma outra igreja do município, previamente escolhida. Aí, é recebida e entronizada entre rezas, músicas e fogos.

Durante toda a semana são celebradas missas e realizadas pregações sobre a Virgem Santíssima, tanto na igreja visitada, como na Matriz.

No domingo da festa, após a missa de despedida, a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem é colocada solenemente num carro de boi e trazida de volta à Igreja Matriz. Ela é acompanhada por fiéis a pé, a cavalo, de bicicletas, de carroças, carros, caminhões, etc.

Na chegada à Matriz, é dada a bênção aos participantes e celebrada missa festiva.

No sábado e no domingo, no largo da matriz, é realizada uma quermesse com apresentações artísticas. A festa é encerrada com show e queima de fogos.



(Pesquisa de Antonio Perez e Ademir Medici)