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As três idades da vida interior

As três idades da vida interior

A vida à qual o cristão é chamado a viver encontra-se como que escondida no homem, como um grão de mostarda. Alimentada pelas fontes da vida interior, ela cresce e eleva-se ao encontro com Deus e à sua união. Para isso, é preciso percorrer um caminho, muitas vezes trilhado pelos santos, mas que é, ao mesmo tempo, muito pessoal. Poucos clássicos de espiritualidade expõem tais passos de crescimento com tamanha lucidez, como o faz Garrigou-Lagrange em “As três idades da vida interior”, sua obra-prima.

“A vida interior (…) é uma forma elevada de conversa íntima que cada um tem consigo mesmo, a partir do momento em que se encontra só, mesmo que seja no tumulto das ruas de uma grande cidade. Quando para de conversar com seus semelhantes, o homem conversa interiormente consigo mesmo sobre o que mais o preocupa. Essa conversa varia muito segundo as diversas idades da vida: a de um velho não é a mesma que a de um homem jovem; ela varia muito também segundo a bondade ou maldade do homem.

Quando ele busca seriamente a verdade e o bem, essa conversa íntima consigo mesmo tende a se tornar conversa com Deus e, pouco a pouco, em vez de buscar a si mesmo em tudo e, de forma mais ou menos consciente, fazer-se centro, o homem tende a buscar a Deus em tudo e a substituir o egoísmo pelo amor de Deus e pelo amor das almas em Deus. Essa é a vida interior; nenhum homem sincero terá dificuldade em reconhecê-la.

A única coisa necessária de que falava Jesus a Marta e Maria consiste em escutar a Palavra de Deus e viver dela. A vida interior assim concebida é, em nós, algo de muito mais profundo e necessário do que a vida intelectual, a cultura das ciências, a vida artística e literária, a vida social e política. (…).

Isso mostra que a vida interior, ou a vida da alma com Deus, merece mesmo ser chamada a única coisa necessária, uma vez que é por ela que tendemos ao nosso fim último, e que é assegurada nossa salvação, que não se deve separar demais da santificação progressiva, porque esta é a própria via da salvação.

Muitos parecem pensar: basta que eu seja salvo, não é preciso que eua seja um santo. É evidente que não é necessário ser um santo que faz milagres e cuja santidade é oficialmente reconhecida pela Igreja, mas, para ser salvo, é preciso tomar o caminho da salvação, e este é, ao mesmo tempo, o caminho da santidade: no céu só haverá santos, tenham eles chegado lá imediatamente após a morte ou após uma purificação no purgatório. (…).

A vida interior do justo que tende a Deus e que já vive dele é a única coisa necessária; para ser um santo, não é preciso ter recebido uma cultura intelectual ou ter uma grande atividade exterior: basta viver profundamente de Deus”.

fonte: <http://www.osaopaulo.org.br/colunas/tres-idades-da-vida-interior>

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